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A escola no tempo de Salazar

A escola durante o tempo de Salazar era muito diferente da dos nossos dias.

Perguntei aos meus avós que andaram na escola, entre os finais dos anos 40 a inícios da década de 60, em diferentes aldeias pertencentes ao Concelho do Sátão.

Os meus avós Paternos que são mais velhos, só foram obrigados a fazer a 3.ª Classe, que era a escolaridade obrigatória daquela altura. Os meus avós maternos já tiveram como escolaridade obrigatória a 4.ª Classe.

A escola era uma casa em pedra, com chão em madeira, só tinham uma sala e um Professor que, ensinava todos os alunos, do 1.º ao último ano. A Sala tinha nas paredes uma foto do Américo Tomás, do Salazar e um Crucifixo. Não tinha qualquer tipo de aquecimento. Os alunos não podiam falar de qualquer maneira e não tinham direito de manifestarem as opiniões deles, não tinham qualquer liberdade de expressão.

Os manuais escolares eram únicos e duravam anos, passando de alunos para alunos, que não podiam escrever neles. Escreviam em pedras que eram os cadernos deles.

Aos Professores chamavam “Regentes”, eram antigos alunos que tinham a escolaridade obrigatória e que tinham apenas realizado um exame que lhes dava aptidão para darem aulas.

Os Professores eram muito exigentes, maus e violentos. Os meus avós contam que por errarem um exercício e estarem a conversar uns com os outros, levavam com réguas, eram colocados de castigo, em cima de areia, em joelhos e virados para a parede.

A minha avó materna que, vivia muito perto da Professora e a escola era numa aldeia vizinha, conta que a Professora tinha uma escalfeta para se aquecer, mas era a minha avó que tinha que a transportar todos os dias, para a escola e depois de volta para casa.

Alguns alunos reprovavam muitos anos e não chegavam a concluir a escolaridade.

A minha avó materna que dos 4 avós é a mais nova, conta que no final da 4.ª classe vinham ao Sátão fazer o exame, sem o mesmo reprovavam, no final quem passava comprava foguetes, para quando chegassem à Aldeia, os deitarem para todos ficarem a saber quem tinha ficado bem ou mal. Continuidade de estudos não havia, a não ser para alguns rapazes que iam para os Seminários.

A Escola no tempo de Salazar nada tem a ver com a dos nossos dias, temos bons Professores, boas instalações, temos liberdade de manifestar as nossas opiniões, brincamos uns com os outros, temos tempos livres, novas tecnologias que deram um grande avanço ao ensino. Ou seja, somos livres e felizes na Escola!

Francisco Rodrigues n.º 5  6.º B

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Entrevista“Como era a vida no tempo do Estado Novo”

Entrevistador: Filipe Santos Almeida

Tema: “Como era a vida no tempo do Estado Novo”

Perguntas:

1- Como era a sua escola primária?

A minha escola primária só tinha 2 salas e 2 professores para os 4 anos. Uma professora para a 3ª classe e outra para os restantes anos. As aulas eram sobrelotadas, tinham muitos alunos.

 

2- Que matérias eram estudadas?

Geografia, Ciências, Português, Matemática e Religião Moral.

3- Havia divisões entre rapazes e raparigas?

Sim.

4- Havia castigos?

Havia, trabalhava a menina dos 5 olhos (a régua) e a cana da índia. E esses castigos eram para quem não fizesse os deveres, quem se portasse mal, fosse mal educado,…

5- Depois da escola trabalhava em casa?

Sim, sempre. Ajudava os meus pais nos trabalhos do campo, por exemplo, a apascentar as ovelhas, a apanhar comida para o gado, …

6- Tinha tempo para brincar?

Tinha, havia tempo para tudo.

7- Depois de terminar a escola onde trabalhou?

Continuei a trabalhar nas terras para ajudar os meus pais.

8- Quanto tempo trabalhava por dia?

De sol a sol.

9- O seu trabalho era muito exigente?

Sim, era um trabalho muito duro.

10- E as mulheres também faziam o mesmo trabalho?

Sim, as que trabalhavam na agricultura faziam o mesmo trabalho.

11- O ordenado dos homens era diferente do ordenado das mulheres?

No mesmo trabalho os homens ganhavam sempre mais do que as mulheres.

12-Quais as diferenças para si, mais relevantes, entre a sua época e a época atual?

No meu tempo não havia eletricidade e por isso vivíamos muito “fechados” na aldeia, alheios ao que se passava no resto do mundo. Nos dias de hoje, com a rádio, a televisão e a internet sabemos o que se passa lá fora.

No Estado Novo, o trabalho na agricultura era sobretudo um trabalho braçal que contava com a ajuda dos animais, hoje é um trabalho mecanizado o que o torna mais leve e rentável.

Muito obrigado pela atenção e também obrigado pela excelente entrevista que me proporcionou!

Trabalho realizado por: Filipe Santos Almeida, 6ºA, nº5

 

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Entrevista à minha avó sobre a sua experiência como criança no tempo de Salazar

Realizei telefonicamente uma entrevista à minha avó que na data de 25 de Abril de 1974 tinha 14 anos e vivia em Lisboa. Falou-me essencialmente da escola.

“ No tempo da escola não me apercebi de estar no regime salazarista, para nós tudo era normal, fomos assim criados. As aulas eram dadas por uma professora e as turmas eram só de meninas ou só de meninos. Cumpríamos o horário, nas salas de aula havia a fotografia do Salazar e um crucifixo. Quando entrava algum adulto na sala de aula tínhamos de nos levantar sempre. Havia uma régua que era usada quando não  estudávamos ou se falássemos sem a Senhora professora mandar. Não podia haver qualquer falta de respeito ou educação para com os mais velhos ou para com a professora.

A nível familiar nunca os meus pais nos fizeram notar grande diferença, tínhamos de tudo um pouco, não havia abundância nem hipótese de desperdiçar nada (roupa, comida, livros, etc).

Havia a PIDE que era a polícia do estado, isto para as pessoas se portarem bem, não falarem mal do regime. Se o fizessem prendiam-nas e desterravam-nas para o “ Tarrafal ” – prisão situada em Cabo Verde.”

Entrevista efetuada por Rafaela Amaral, 6º A